Alvaro e os aventureiros, de pé sobre a esplanada, tinhão os olhos fitos sobre a arvore que se elevava a um lado da casa, na encosta opposta, e cuja folhagem ainda se agitava.

Longe descortinava-se o campo dos Aymorés; a brisa que passava trazia o rumor confuso das vozes e gritos dos selvagens.

XIII
COMBATE

Erão seis horas da manhã.

O sol elevando-se no horizonte derramava cascatas de ouro sobre o verde brilhante das vastas florestas.

O tempo estava soberbo; o céo azul, esmaltado de pequenas nuvens brancas que se achamalotavão como as dobras de uma lençaria.

Os Aymorés, grupados em torno de alguns troncos já meio reduzidos á cinza, fazião preparativos para dar um ataque decisivo.

O instincto selvagem suppria a industria do homem civilisado; a primeira das artes foi incontestavelmente a arte da guerra,—a arte da defeza e da vingança, os dous mais fortes estímulos do coração humano.

Nesse momento os Aymorés preparavão settas inflammaveis para incendiar a casa de D. Antonio de Mariz; não podendo vencer o inimigo pelas armas, contavão destrui-lo pelo fogo.

A maneira por que arranjavão esses terriveis projectis que lembravão os pelouros e bombardas dos povos civilisados era muito simples; envolvião a ponta da flecha com frocos de algodão embebido na resinada almecegueira.