A poderoza nação estava como o bando de caitetús que perdeu o pai, e desgarra-se pela floresta, correndo sem rumo.

Os mais valentes moacaras, chefes das tribus, esperavam pelo grande chefe da nação para abrir-lhes o caminho da guerra.

Os abarés meditaram. Elles não podiam inventar um guerreiro capaz de suceder a Itaquê; mas não se rezignavam a abater a gloria da nação, trocando o arco invencivel do grande Tocantim por outro arco mais leve, que Pojucan manejasse.

Tambem Pojucan anunciára, que não podendo brandir o arco de Itaquê, jámais empunharia outro arco chefe, menos gloriozo do que o do grande Tocantim.

Abarés, chefes, moacaras, guerreiros, toda a nação se reuniu em torno do heróe cégo.

Daquelle que durante tantas luas defendera a nação com a força de seu braço, e a protejera com o terror de seu nome, esperavam ainda a salvação.

O velho ouviu a voz dos abarés, a voz dos chefes, a voz dos moacaras, a voz dos guerreiros, e disse:

—Itaquê ainda póde combater e morrer por sua nação; mas sem a luz do céu, elle não póde mais abrir a seus filhos o caminho da vitoria.

«O braço de Itaquê defendeu sempre a nação tocantim; quer ella ser defendida agora pela palavra daquelle, que não tem mais para dar-lhe senão a experiencia de sua velhice?

«Pensem os abarés, os chefes, os moacaras e os guerreiros.»