[Paj. 6]

Lança.—O uzo da lança não era comum aos selvajens, que empregavam de preferencia o arco, o tacape, a macana, e a igarapema, especie de remo, que fazia as vezes de partazana. Outros escrevem iverapema; mas o nome é aquelle de igara-pema, espada da canôa; basta ver-lhe a fórma para compreender seu duplo destino.

[Paj. 6]

Craúba.-É a mesma carabiuba dos indios, assim contraída pelo uzo dos nossos sertanejos. Madeira roxa, excessivamente rija, que não cede ao páu-ferro no pezo e na dureza.

[Paj. 7]

A liga vermelha.—Era este um dos mais curiozos e interessantes ritos dos tupís.

Quando a menina atinjia a puberdade, depois de sua purificação, da qual tratam os autores, especialmente Orbigny e Thevet, a mãi punha-lhe nas pernas, abaixo do joelho, uma liga de fio de algodão tinta de vermelho, de tres dedos de largura, e tecida no proprio logar de modo que uma vez fechada, não era mais possivel tiral-a. Vide Gabriel Soares, cap. 153.

A essa liga chamavam tapacora, e não a podia trazer senão a virjem, de modo que se acontecesse quebrar a castidade havia de rompel-a, para que todos conhecessem sua falta. Eis como Gabriel Soares se exprime a este respeito no cap. 152: «E como o marido lhe leva a flôr, é obrigada a noiva a quebrar estes fios para que seja notorio que é feita dona; e ainda que uma moça destas seja deflorada por quem não seja seu marido, ainda que seja em segredo, ha de romper os fios de sua virjindade, que de outra maneira cuidará que a leva o diabo, os quais dezastres lhes acontecem muitas vezes, etc.»

Este simples traço é bastante para dar uma idéa da moralidade dos tupís, e vingal-a contra os embustes dos cronistas, que por não compreenderem seus costumes, foram-lhes emprestando gratuitamente, quanto inventavam exploradores mal informados e prevenidos.