Cunhãmembira creio eu ser a festa que se fazia pelo parto da mulher; e talvez acontecendo nacer morta a criança, se orijinasse a fabula do sacrificio que então se praticava entre algumas nações de ser a mãi obrigada a absorver em si esse fruto goro de sua fecundidade.
Guainumbí.—«Persuadem-se os brazilienses haver uma ave, que chamam colibri, a qual leva e traz noticia do outro mundo.» Santa Rita Durão—Notas ao Caramurú.
Tambem chamavam os indios esse passaro, Guaraciaba—cabelos do sol; e Arati, ou Arataguaçú segundo Marcgraff, 197. Quanto ao nome de Guainumbí, ou mais corretamente Guinambí, penso eu que significa o brinco das flôres. Os selvajens tiraram naturalmente essa dezignação do modo por que o colibri tremula, como suspenso á flôr para chupar-lhe o mel, semelhante ao movimento das arrecadas suspensas ás orelhas, e que elles chamavam nambípora.
Jussara.—«Nas povoações feitas em terra têm muitas nações guerreiras a providencia de as segurarem e munirem com fortes muralhas, não de pedra, mas de estacas do páu duro como pedra. Outros as fabricam de palmeira, que chamam jussara, cujos espinhos são tão grandes e duros, que servem a muitos de agulhas de fazer meias; e as trincheiras feitas de jussara são mais seguras que as mais bem reguladas fortalezas; porque de modo nenhum se podem penetrar e romper senão com fogo por crecerem não só cheias de grandes estrepes ou agudos espinhos, mas tão enlaçadas e enleadas umas com outras que se fazem impenetraveis. (Tezouro descoberto no rio Amazonas, Part. 2a, cap. 1o, no 2o vol. da Rev. do Instituto, paj. 350.)
O nome da palmeira é em tupí jussara, de ju—espinho e ara dezinencia.
Carbeto.—Assim chamam Ives d'Evreux e Abbeville ao conselho dos velhos entre os selvajens. Este nome deriva-se naturalmente de caraiba, varão ilustre e ipê, logar onde.