II
O GUERREIRO
Retumba a festa na taba dos araguaias.
As fogueiras circulam a vasta ocara e derramam no seio da noite escura as chamas da alegria.
Toda a tarde o trocano reboou chamando os guerreiros das outras tabas á grande taba do chefe.
Era a festa guerreira de Jaguarê, filho de Camacan, o maior chefe dos araguaias.
No fundo da ocara prezide o conselho dos anciãos, que decide da paz ou da guerra, e governa a valente nação.
Os anciãos, sentados no longo giráu, contemplam taciturnos a geração de guerreiros que elles ensinaram a combater, e têm saudades da passada gloria.
Suspenso em frente delles está o grande arco da nação araguaia, ornado nas pontas das penas vermelhas da arara.
É a insignia do chefe dos guerreiros, a qual Camacan, pai de Jaguarê, conquistou na mocidade e ainda a conserva, pois ninguem ouza disputal-a.
Eil-o, o velho chefe, embaixo do arco, que sua mão tantas vezes brandiu na guerra. Em pé, arrimado ao invencivel tacape, elle dirije a festa.