—Camacan, tu és o primeiro guerreiro e o maior chefe da nação araguaia. Para a gloria de Jaguarê bastava que elle se mostrasse teu filho no valor como é teu filho no sangue. Mas o grande arco da nação araguaia, Ubirajara não o recebe de ti e de nenhum outro guerreiro, pois o ha de conquistar pela sua pujança.
Disse, e arremessando no meio da ocara o grande arco, bradou:
—O guerreiro que ouze empunhar o grande arco da nação araguaia, venha disputal-o a Ubirajara.
Nenhuma voz se ergueu; nenhum campeão avançou o passo.
O trocano reboou de novo, e no meio da pocema de triunfo, a multidão dos guerreiros proclamou:
—Ubirajara, senhor da lança, tu és o mais forte dos guerreiros araguaias; empunha o arco chefe.
Então Ubirajara levantou o grande arco, e a corda zuniu como o vento na floresta.
Era a primeira seta, mensajeira do chefe, que levava ás nuvens a fama de Ubirajara.
Os cantores exaltaram a gloria dos dois chefes: a do velho Camacan, que trocára a arma do guerreiro pelo bordão do conselho; e a do joven Ubirajara, que na sua mocidade já se mostrava tão grande, como fôra o pai na robustez dos anos.