O guerreiro tornou á rêde, esperando achar ali outra vez o sonho que vizitára sua alma; porém o sono fujira de seus olhos.
Quando raiou a primeira alvorada, Ubirajara saiu da cabana e buscou no mais espesso da mata a sombra propicia á saudade.
Seu passo o guiava sem querer para as bandas do grande rio, onde devia ficar a taba dos tocantins.
É assim que os coqueiros, imoveis na praia, inclinam para o nacente seu verde cocar.
Ubirajara ouviu o rumor de um passo lijeiro através da mata; de lonje conheceu Jandira que o procurava.
A doce virjem achára á porta da cabana o rasto do guerreiro e o seguira através da floresta.
—Que máu sonho aflige Ubirajara, o senhor da lança e o maior dos guerreiros, chefe da grande nação araguaia, para que elle se afaste de sua taba e esqueça a noiva que o espera.
—A tristeza entrou no coração de Ubirajara, que não sabe mais dizer-te palavras de alegria, linda virjem.
—A tristeza é amarga; quando entra no coração do guerreiro, o enche de fel. Mas Jandira fará como sua irmã, a abelha, ella fabricará em seus labios os favos mais doces para seu guerreiro; suas palavras serão os fios de mel que ella derramará na alma do espozo.