Quando Ubirajara se aproximou da cabana, Pojucan tomou-lhe o passo.

—Ubirajara, senhor da lança, grande chefe da nação araguaia, não confessaste tu diante dos anciãos das tabas e de todos os teus guerreiros, que Pojucan era o varão mais forte e o mais terrivel no combate, que o sol tinha visto até o momento de ser vencido por ti?

—Ubirajara o disse. É a voz da nação araguaia.

—Desde que tu cruzaste comigo a seta do dezafio até este momento, Pojucan, guerreiro varão, e chefe de uma taba, na valente nação dos tocantins, mostrou-se pela sua constancia e valor digno do sangue de seus avós?

—Pojucan o disse; e a fama o repete.

—Então porque Ubirajara, o grande chefe dos araguaias, não concede a Pojucan a morte glorioza, que os tocantins jámais recuzaram a um guerreiro valente, e que sómente se nega aos fracos? Já não serviu Pojucan á tua gloria na festa do triunfo? Esperas delle que te obedeça como um escravo? Se aviltas o varão, a quem venceste, humilhas o teu valor que elle exaltava.

O grande chefe araguaia ouviu sem interromper o prizioneiro, e respondeu com gravidade:

—Ubirajara não recuza ao bravo chefe tocantim, seu terrivel inimigo, o suplicio, que não negaria a qualquer guerreiro valente. Elle esperava que tua ferida se fechasse de todo, para que o grande Pojucan possa no dia do ultimo combate sustentar a fama de seu nome, e a gloria de um varão que só foi vencido por Ubirajara.

O grande chefe dos araguaias levou aos labios a inubia de Camacan; a voz do mando reboou pelo vasto ambito da taba.