Os filhos concebidos no proprio seio só tinham por mãi a espoza, que o guerreiro tomou por companheira de sua existencia e raiz de sua geração.
O rito da hospitalidade entre os filhos da floresta manda que se dê ao estranjeiro amigo tudo que deleita ao guerreiro.
Por isso vinham as moças oferecer a Jurandir sua beleza, para que elle escolhesse entre ellas uma companheira, que partilhasse sua rêde na cabana hospedeira.
Todas se tinham enfeitado com seus mais belos ornatos, para agradar aos olhos de Jurandir; pois não havia para ellas maior gloria do que a de merecer o amor do estranjeiro.
Umas traziam as tranças urdidas com penas vistozas dos passaros de sua predileção; outras haviam perfumado da essencia do sassafraz os cabelos soltos, que derramavam sua fragancia ao sopro da briza.
Chegando diante do estranjeiro, começaram uma dansa amoroza para mostrar a graça de seu corpo. Aquellas que tinham a voz doce cantavam em louvor de Jurandir.
Arací fôra buscar seu balaio de palha vermelha, e sentára-se no terreiro, junto á porta da cabana. Seus dedos ajeis enfiavam as sementes de jequerití, de que fazia um ramal para seu colo gentil.
Emquanto compunha o colar, a virjem percebia que os olhos de Jurandir abandonavam os encantos das mulheres, e buscavam seu rosto.
Mas ella voltava-se para a floresta; com o trinado de seus labios chamava o crajuá, que voava no olho da palmeira. O passarinho iludido vinha, cuidando ouvir o canto da companheira.