Jurandir, conduzido pela virjem, caminhou ao encontro de Itaquê e disse:

—Grande chefe dos tocantins, Jurandir não veiu á tua cabana para receber a hospitalidade; veiu para servir ao pai de Arací, á formoza virjem, a quem escolheu para espoza. Permite que elle a mereça por sua constancia no trabalho, e que a dispute aos outros guerreiros pela força de seu braço.

Itaquê respondeu:

—Arací é a filha de minha velhice. A velhice é a idade da prudencia e da sabedoria. O guerreiro que conquistar uma espoza como Arací terá a gloria de gerar seu valor no seio da virtude. Itaquê não póde dezejar para seu hospede maior alegria.

Desde esse momento, Jurandir não foi mais estranjeiro na taba dos tocantins. Pertencia á oca de Itaquê, e devia, como servo do amor, trabalhar para o pai de sua noiva.

Os guerreiros, cativos da beleza de Arací, conheceram que tinham de combater um adversario formidavel; mas seu amor creceu com o receio de perder a filha de Itaquê.

Jurandir tomou suas armas e deceu ao rio. Era a hora em que o jacaré boia em cima das aguas como o tronco morto, e a jaçanan se balança no seio do nenufar.

O manatí erguia a tromba para pastar a relva na marjem do rio. Ouvindo o rumor das folhas, mergulhou na corrente; mas já levava o arpéu do pescador cravado no lombo.

Jurandir não esperou que o peixe ferido dezenrolasse toda a linha. Puxou-o para terra; e levou-o ainda vivo á cabana de Itaquê, onde tres guerreiros custaram a deital-o no giráu.

As mulheres cortaram as postas de carne, e os guerreiros cavaram a terra para fazer as grelhas do biaribí.