Arací foi buscar a rêde nupcial, que ella tecera de penas de tucano e arara; e Jurandir conduziu os utensilios da cabana.
Então o estranjeiro sentou-se com a virjem no terreiro, e antes de passar a soleira da porta, revelou a Arací quem era o guerreiro que ella aceitára por espozo.
—Arací pertence ao grande chefe da nação araguaia. Ella teve a gloria de vencer ao maior guerreiro das florestas. Ella será mãi dos filhos de Ubirajara; e terá por servas as virjens mais belas, filhas dos chefes poderozos.
«A palmeira é formoza quando se cobre de flôres e o vento ajita as suas folhas verdes, que murmuram; mais formoza, porém, é quando as flôres se mudam em frutos, e ella se enfeita com seus cachos vermelhos.
«Arací tambem ficará mais formoza quando de seu sorrizo saírem os frutos do amor, e quando o leite encher seus peitos mimozos, para que ella suspenda ao colo os filhos de Ubirajara.»
Arací ouviu as palavras do guerreiro, palpitante como a corça; e ornou a fronte do espozo com o cocar de plumas vermelhas, que tecera em segredo.
Depois, sentindo os olhos de Ubirajara que bebiam a sua formozura, ella vestiu o aimará mais alvo do que a pena da garça.
A tunica de algodão entretecida de penas de beija-flôr dece das espaduas até á curva da perna, cinjida pela liga da virjindade.
Quando Arací passava entre os guerreiros que admiravam sua beleza, ella não córava, porque sua castidade a vestia, como a flôr á sapucaia.
Mas agora em prezença do guerreiro a quem ama e para quem guardou a sua virjindade, tem pejo, e esconde sua formozura ás vistas de Ubirajara.