«Eu sou Ubirajara, o senhor da lança; e o maior guerreiro depois do grande Camacan, cujo sangue me gerou. Se quereis saber porque tomei este nome, ouvi a minha maranduba de guerra.»

Ubirajara contou o seu encontro com Pojucan; o combate em que o venceu, e a festa do triunfo, até o momento em que deixou a taba dos araguaias.

Terminou dizendo que no seguinte sol partiria, para assistir ao combate da morte, como prometera ao prizioneiro.

Ninguem interrompeu a maranduba de guerra. Ubirajara ouviu um gemido; mas não soube que rompera do seio de Arací.

Itaquê arquejou como o rio ao pezo da borrasca.

—Tu és Ubirajara, senhor da lança. Eu sou Itaquê, pai de Pojucan. Tenho em face o matador de meu filho; mas elle é meu hospede!

«Chefe dos araguaias, tu és um joven guerreiro; pergunta a Camacan que te gerou, qual deve ser a dôr do pai, que não póde vingar a morte do filho.»

O grande chefe vergou a cabeça ao peito, como o cedro altaneiro batido pelo tufão.

Pojucan tinha sua taba mais lonje, na outra marjem do rio. Elle partira na ultima lua para rastejar a marcha dos tapuias; e voltava senhor do caminho da guerra quando encontrou Ubirajara.

Seu pai e os guerreiros de sua taba pensavam que elle buscava na floresta o caminho da guerra. Mal sabiam que a essa hora esperava prizioneiro na taba dos araguaias o combate da morte.