Arací suspirou:

—Ubirajara vai deixar a lembrança de Arací nos campos dos tocantins. Jandira o espera na taba dos araguaias, e lhe guarda o seu sorrizo de mel.

—A luz de teus olhos, Arací, estrela do dia, foi buscar Ubirajara na taba dos seus, onde resoavam os cantos de seu triunfo, e o trouxe á tua cabana.

«Quando elle partiu encontrou Jandira, e para que a filha de Majé não o acompanhasse a deu a Pojucan, como espoza do tumulo.»

—O goaná do lago vôa lonje, para banhar-se nas aguas da chuva que alagaram a varzea; mas logo volta ao seu ninho, e não se lembra mais da moita onde dormiu.

—Ubirajara é um guerreiro; elle não aprende com o goaná do lago, que foje do perigo, mas com o gavião, grande chefe dos guerreiros do ar, que nunca mais abandona o rochedo onde assentou a sua oca.

—Se Ubirajara amasse a espoza, tambem não a abandonaria. Os braços de Arací já cinjiram o colo de seu guerreiro. O tronco não desprende de si a baunilha que se entrelaçou em seus galhos.

Ubirajara calcou a mão sobre a cabeça de Arací:

—Itaquê respeitou a lei de hospitalidade no corpo de Ubirajara, Ubirajara não deixará a traição na terra hospedeira.

«Arací não deve querer para espozo um guerreiro menos generozo do que seu pai.»