“Tambem se não devem ter esquecido que, no intuito de destruir Franceville, Herr Schultze lançou um formidavel apparelho que devia cahir sobre a cidade franceza e anniquilal-a de um só golpe.
“Ainda menos se terão esquecido de que esse apparelho, cuja velocidade inicial, ao sahir da bôcca do canhão monstro, fôra mal calculada, foi levado com rapidez superior a dezeseis vezes a dos projectis ordinarios,—isto é, cento e cincoenta leguas por hora,—que não tornou a cahir sobre a terra e que, passado a estado de bolide, circula e deve circular eternamente em volta do nosso globo.
“E porque não será esse o corpo em questão, cuja existencia se não pode negar„?
Muito engenhoso era este assignante do New York Herald. E a trombeta?... Não levava trombeta o projectil de Herr Schultze!
Portanto todas essas explicações não explicavam nada, todos esses observadores observavam mal.
Restava comtudo a hypothese proposta pelo director de Zi-Ka-Wey. Mas a opinião de um chinez!...
Não se imagine que o publico do Antigo e Novo Mundo acabou por se cançar. Não! as discussões continuaram cada vez mais, sem chegarem a um accôrdo. E comtudo, houve um praso de espera. Passaram-se alguns dias, sem que o objecto, bolide ou qualquer outro, fôsse visto, sem que nenhum som de trombeta se ouvisse no ar. Teria o corpo cahido n’algum ponto do globo, onde fôsse difficil encontrar-lhe os vestigios,—no mar por exemplo? Jazeria nas profundezas do Atlantico, do Pacifico, do Oceano Indico? O que dizer a este respeito?
Mas, entre 2 e 9 de junho, uma serie de factos novos se deram, cuja explicação, só pela existencia de um phenomeno cosmico, seria impossivel.
Em oito dias, os hamburguezes, na ponta da Torre de S. Miguel; os turcos, no mais alto minarete da Santa Sophia; os ruennezes, no extremo do Munster; os americanos, sobre a cabeça da sua estatua da liberdade, á entrada do Hudson, e no fuste do monumento de Washington, em Boston; os chinezes, no vertice do templo dos Quinhentos Genios, em Cantão; os indios, no 16.º pavimento da pyramide do templo de Tanjur; os San-Prietrini, na cruz de S. Pedro de Roma; os inglezes, na cruz de S. Paulo de Londres; os egypcios no angulo agudo da grande pyramide de Gizeh; os parisienses, nos pára-raios da torre de ferro da exposição de 1889, da altura de tresentos metros, puderam ver uma bandeira a fluctuar em cada um d’estes pontos difficilmente accessiveis.
E essa bandeira era um panno preto, semeado de estrellas, com um sol de ouro no centro.