Evidentemente fôra visto o Albatrós, d’aquella vez; não só bem visto, mas ouvido tambem, porque Tom Turner, embocando a sua trombeta, enviou sobre a cidade uma vibrante fanfarra.

N’essa occasião, Uncle Prudent, inclinando-se por sobre o parapeito, abriu as mãos e deixou cahir a caixa de rapé.

Quasi em seguida o Albatrós subiu rapidamente.

Então, através das alturas do céo parisiense, subiu um hurrah immenso da multidão, que era enorme ainda nos boulevards, hurrah de estupefacção que se dirigia ao phantastico meteoro.

De subito se apagaram os pharoes da aeronave, fez-se de novo a sombra em volta d’ella, ao mesmo tempo que o silencio, e seguiram o caminho com uma velocidade de duzentos kilometros por hora.

É tudo o que se devia ter visto da capital da França.

Ás quatro da manhã, o Albatrós tinha transposto obliquamente todo o territorio. Depois, afim de não perder tempo em transpôr os Pyrinéos ou os Alpes, deslisou á superficie da Provença até á ponta do Cabo das Antibes. Ás nove, os San-pietrini, reunidos no terraço de S. Pedro de Roma, ficavam embasbacados ao vêl-o passar por cima da Cidade Eterna. Duas horas depois, dominava a bahia de Napoles, balouçava-se um instante entre as volutas fuliginosas do Vesuvio. Afinal, depois de ter cortado o Mediterraneo com um vôo obliquo, desde a primeira hora depois do meio dia, era visto pelas vigias da Guletta, na costa tunisina.

Depois da America, a Asia! Depois da Asia, a Europa! Eram mais de trinta mil kilometros que o prodigioso apparelho acabava de fazer em menos de vinte e tres dias!

E agora, eil-o por sobre as regiões conhecidas ou desconhecidas da terra de Africa!