Para que ponto do globo ia agora dirigir-se o Albatrós? Seria admissivel que, em pleno inverno, se aventurasse por sobre os mares austraes ou continentes do polo? N’aquella atmosphera glacial não correspondia isso á morte do pessoal, a uma horrivel morte pelo frio, admittindo mesmo que os agentes chimicos das pilhas pudessem resistir a uma tal congelação? Que Robur tentasse transpôr o polo durante a estação quente, vá! Mas no meio d’essa noite permanente do inverno antarctico, seria o acto de um louco!
Assim raciocinavam o presidente e o secretario do Weldon-Institute, agora levados ao extremo d’aquelle continente do Novo Mundo, que é ainda a America, mas não a dos Estados Unidos!
Sim! o que ía fazer esse intratavel Robur? Não teria chegado o momento de terminar a viagem destruindo o apparelho voador?
O certo é que durante aquelle dia de 24 de julho, o engenheiro teve frequentes entrevistas com o seu contramestre. Muitas vezes os dois consultaram o barometro, não para calcular d’esta vez a altura que haviam attingido, mas para tomar nota das indicações relativas ao tempo. Evidentemente, alguns symptomas se produziam que era necessario ter em consideração.
Uncle Prudent julgou tambem notar que Robur buscava inventariar o que lhe restava de provisões de toda a especie, tanto para entreter as machinas propulsivas e suspensivas da aeronave, como tambem as machinas humanas, cujo funccionamento não devia ser menos garantido a bordo.
Tudo isto parecia annunciar projectos de regresso.
—De regresso!... dizia Phil Evans. Mas para onde?
—Onde esse Robur se possa abastecer, respondeu Uncle Prudent.
—Deve ser alguma ilha perdida no Oceano Pacifico, com uma colonia de scelerados, dignos do seu chefe.
—É tambem a minha opinião, Phil Evans. Parece-me, com effeito, que elle pretende dirigir-se para o oéste, e, com a velocidade de que dispõe, terá alcançado rapidamente o seu fim.