Foi um desapontamento tanto mais sensivel, quanto os dois helices propulsivos haviam tido certas avarias durante a tormenta.

Robur, contrariadissimo com este accidente, não poude seguir, durante este dia, senão com uma velocidade relativamente moderada. Quando passou por sobre os antipodas de Paris, não o fez senão a razão de seis leguas por hora.

Era necessario, além d’isso, tomar bem sentido em não aggravar as avarias. Se os seus dois propulsores fôssem postos fora das condições de funccionar, a situação da aeronave por sobre esses vastos mares do Pacifico estaria muito compromettida. Assim o engenheiro perguntava a si proprio se não deveria proceder ás reparações alli, de modo a assegurar a continuação da viagem.

No dia seguinte pelas sete da manhã, foi avistada uma terra ao norte. Reconheceu-se logo que era uma ilha. Mas qual d’essas milhares de ilhas de que está semeado o Pacifico?

Comtudo Robur resolveu parar alli, sem vir a terra. Segundo elle, bastaria o dia para reparar as avarias, e partiria n’essa mesma noite.

O vento tinha serenado de todo, circumstancia favoravel para a manobra que se tratava de executar. Pelo menos, visto que ficára estacionario, o Albatrós não seria arrastado sem se saber para onde.

Um longo cabo de cento e cincoenta pés, com uma ancora na extremidade, foi lançado pela borda fora. A aeronave chegava ao extremo da ilha, a ancora tocou de raspão nos primeiros escolhos, e depois prendeu-se solidamente entre dois rochedos. O cabo destendeu-se sob a acção dos helices suspensivos, e o Albatrós ficou immovel, como um navio prêso da praia com uma ancora.

Era a primeira vez que se ligava á terra, desde a sua partida de Philadelphia.


CAPITULO XV
ONDE SE PASSAM COUSAS QUE NA REALIDADE MERECEM SER CONTADAS