A escuridão era profunda. As nuvens começavam a soprar do sudoéste. Já a aeronave balançava um pouco, presa á ancora, afastando-se ligeiramente da vertical com relação ao cabo que a segurava. A descida devia pois offerecer uma certa difficuldade. Mas não era cousa que fizesse recuar homens que estavam resolvidos a expôr a vida.

Arrastaram-se os dois até á plataforma, parando ás vezes ao abrigo dos compartimentos para escutar se ouviam algum ruido. Silencio absoluto por toda a parte. Nenhuma luz nas vigias. Não era só no silencio, que a aeronave estava immersa; mas no somno.

No emtanto Uncle Prudent e o seu companheiro approximavam-se do beliche de Fricollin, quando Phil Evans estacou:

—O vigia! disse elle.

Com effeito um homem estava deitado junto aos compartimentos centraes. Passava pelo somno. Toda a fuga se tornára impossivel no caso de elle dar o alarme.

Estavam n’aquelle logar algumas cordas, pedaços de panno e de estopa, que tinham servido para o concerto do helice.

Um instante depois, o homem era amordaçado, encapuzado, atado a um dos varões do parapeito, sem poder dar um grito ou fazer um movimento.

Tudo isto se passára quasi sem ruido.

Uncle Prudent e Phil Evans puzeram-se a escutar....

O silencio não foi perturbado no interior dos compartimentos. A bordo tudo dormia.