E ao mesmo tempo que os dois falavam, mettendo-se á cara um do outro, Uncle Prudent embrenhava-se cada vez mais através dos prados desertos de Fairmont-Park, afastando-se cada vez mais da Schuylkill-river, e da ponte que era necessario alcançar de novo, para entrar na cidade.

Achavam-se os tres no meio de um arvoredo, cujas copas eram illuminadas pelos derradeiros clarões do luar. No fim do arvoredo abria-se uma larga clareira, vasto campo oval, admiravelmente disposto para as luctas de um ring. Nenhum accidente de terreno obstaria alli ao galopar de um cavallo, nenhuma arvore interceptava a vista do espectador, ao longo de uma pista circular de algumas milhas.

E comtudo, se Uncle Prudent e Phil Evans não estivessem absortos na sua discussão, se tivessem olhado com certa attenção, não teriam encontrado a clareira com o seu aspecto habitual.

Seria um estabelecimento de farinhas, que tivesse sido montado na vespera? Com effeito, assim parecia, pelo conjuncto de moinhos de vento, cujas azas, immoveis n’aquelle momento, gesticulavam na sombra.

Mas nem o presidente nem o secretario do Weldon-Institute tinham notado n’esta extranha modificação na paizagem do Fairmont-Park. Fricollin tão pouco o reparou. Parecia-lhe que os ladrões se approximavam, se juntavam, como no acto de darem o golpe. Tinha um terror convulso; os membros paralysados, os cabellos hirtos,—emfim estava no ultimo grau do terror!

Comtudo, mesmo com as pernas a tremer, e a dobrarem-se-lhe, teve fôrça para exclamar mais uma vez:

—Master Uncle!... Master Uncle!

—Eh! o que é que queres afinal? perguntou Uncle Prudent.

Talvez Phil Evans e elle não desgostassem de descarregar a sua colera, sovando de grande o infeliz Fricollin. Mas não tiveram tempo, como este não teve tambem para responder.