Feito isso, o negro, a titubear sempre, dirigiu-se para a sacada e segurou-a com as duas mãos, para melhor garantir o equilibrio. Evidentemente elle desejava fazer idéa do paiz que o Albatrós dominava da altura de duzentos metros, o maximo.
Fricollin devia estar muito afflicto para arriscar um tal passo. Foi-lhe decerto preciso uma grande audacia para sujeitar a sua pessoa a uma prova d’essas.
Primeiramente, Fricollin inclinou o corpo para traz junto á sacada; depois sacudiu-a afim de reconhecer a sua solidez; depois tornou a levantar-se; depois curvou-se para a frente; depois poz a cabeça de fora.
Inutil é dizer que, emquanto executava estes diversos movimentos, tinha os olhos fechados. Abriu-os afinal.
Que grito! e como recuou depressa! E como a cabeça lhe entrou pelos hombros dentro!
No fundo do abysmo vira o immenso Oceano. Os cabellos ter-se-lhe-hiam eriçado, se não fôssem carapinha.
—O mar!... o mar!... exclamou elle.
E Fricollin cahiria sobre a plataforma, se o mestre cozinheiro não tivesse aberto os braços para o receber.
O mestre cozinheiro era um francez, um gascão talvez, apesar de se chamar François Tapage. Se não era gascão, devia ter pelo menos aspirado as brisas do Garonne, durante a infancia. Como é que esse François Tapage estava ao serviço do engenheiro? Que serie de acasos o levaram a fazer parte do pessoal do Albatrós? Não se sabia. Em todo o caso, aquelle patusco falava inglez como um Yankee.
—Vamos, arriba! arriba! gritou elle, dando um impulso pelos rins ao negro, afim de o pôr direito.