—Este Innocencio é espertalhão! Está aqui, está director do banco. Não duvido que o Torres tivesse sido empurrado por elle... Tem uma labia!
—E sabe encostar-se a boas arvores. O Barros tem-lhe dado boas commissões e não é á toa que elle procura tanto agora o Torres... Mette-se sempre na melhor roda... Aquelle não veio de Portugal como nós, sem bagagem e cheirando a páo de pinheiro; trouxe luvas e meias de seda... O patife!
—São os que naufragam...
—Quando não vêm á caça e não têm o geitinho que este revela... Canta que nem um passaro, para attrahir a gente!
—É uma intelligencia superior! suspirou o Ramos, esticando com ambas as mãos o collete sobre a barriga arredondada. Depois, refestelando-se no sofázinho austriaco, teve uma ponta de censura para as cousas d'esta terra: o governo era fraco, o povo indisciplinado, a cidade infecta.
Inda nessa manhã, vendo marchar um pelotão de soldados, sem cadencia nem rhythmo, lembrara-se da maneira por que os soldados da sua patria andavam pelas ruas. As fardas eram mais bonitas, os metaes mais polidos, os passos eguaezinhos, um, dois, um dois; fazia gosto. E assim, em tudo mais aqui, o mesmo relaxamento.
A maldita Republica acabaria de escangalhar o resto. Veriam.
Só no fim perguntaram pelas familias.
—A proposito, perguntou o Ramos a Theodoro, aquella menina que vae tocar violino no concerto dos pobres é sua filha?
—Que concerto?