Milla encostou-se ao espaldar da cadeira, muito pallida, com uma expressão interrogativa no olhar assombrado. Dr. Gervasio fallava, fallava...
Entretanto, Theodoro rompeu pelo quarto do filho.
—Então, seu Mario? isso faz-se! Entra-se em uma sala para jantar é volta-se para traz sem satisfações, de mais a mais deante de visitas?!
—Visitas?... que visitas? o Dr. Gervasio?... Esse é de casa.
—Não é; mas que fosse; se não me consideras nem a tua mãe, devias ao menos respeitar o hospede.
—Mas se é o hospede que eu detesto! não posso vêr aquelle homem, papae, não posso vêr aquelle homem!
—Tu estás doido! porque?!
Mario calou-se, de repente, arrependido, de olhar esgazeado. O pãe insistia, furioso:
—Essas coisas não se dizem á tôa; responde: porque lhe tens essa raiva?
—Não sei ... desde creança que antipathiso com elle ... por instincto... Aborreço aquelle rosto pallido ... aquelle corpo esguio ... aquella voz desegual, aquelle sorrizinho de mófa, embirro com as suas mãos de mulher, com os seus ditos de pedante, com a sua assiduidade, com os seus sapatos, com a côr das suas roupas, com os vidros das suas lunetas, com as suas essencias, com elle e com tudo que é d'elle. Não me pergunte mais; não posso dizer mais nada; talvez lhe pareça pouco. É muito. Por hoje desculpe-me. Estou doente.