—Se quer! ainda que não fosse senão para pôr corôa e véu... Todas as meninas sonham com a primeira communhão. É um ensaio para o casamento.

—Heresias... E o Mario ... como vae o Mario?

—Está um moço bonito.

—E ... mais ajuizado?

Camilla corou levemente, roçou em um disfarce as faces pelas azas brancas do cacatuá, e respondeu com um sorriso:

—Como todos os rapazes de vinte annos...

Lia e Rachel tinham-se engalfinhado a um canto por causa de um pecego verde, derrubado pela chuva e que ambas disputavam. Milla chamou a Noca, que interviesse e levasse as contendoras para dentro. D. Joanna levantou-se com um gemido e foi sentar-se a um canto da sala de jantar.

Estava alquebrada, pezavam-lhe as pernas; soube-lhe bem a flacidez da poltrona, que a envolveu logo numa caricia de somno. Cochilou gostosamente, mal ouvindo as correrias e as gargalhadas das creanças, o tinir das louças que punham na mesa, e os passos da criadagem em movimento. Atravéz do somno tudo aquillo era subtil e bom como uma musica a distancia. Quando despertou, iam servir o almoço. Perto, em um vão de janella, o Dr. Gervasio, com roupa clara e flores na lapella, conversava baixo com a Camilla.

D. Joanna tossiu para prevenil-os da sua presença; não se queria aproveitar do momento para indiscreções. Por fortuna, Nina entrou na sala, vinda da cópa, carregando uma cestinha de uvas brancas.

Lá em cima Ruth atacava os graves e agudos do violino, com frenesi.