—Adivinhe agora o motivo da minha visita! disse a baroneza atravéz de um bello sorriso.
—É facil. Vem participar-me o seu casamento!
—Casar-me, eu? qual!
—Porque não? É a viuvinha mais cobiçada d'este Rio de Janeiro.
—Infelizmente. Imagine: tenho agora em casa uma senhora, especie de dama de companhia, sabe? só encarregada de receber e despedir os meus pretendentes... Não se ria, saiba que é verdade. Não é verdade, Paquita?
Paquita meneou a cabeça, que sim.
—Bem vê. Mas onde ouviu dizer que eu estava noiva?
—Em um bond.
—Já me tardava. O bond é o eterno mexeriqueiro d'esta terra. Tambem vocês quando não querem comprometter os seus informantes, attribuem ao pobre bond todas as indiscreções... Por isso o abomino. Só saio de carro... Não! Eu não venho participar coisa nenhuma; venho pedir a sua Ruth para abrilhantar um concerto que nós, protectoras do Sagrado Coração, pretendemos dar no dia quinze. Se não fosse coisa de religião, eu não me metteria nisto. Já me têm pedido para organizar festas em beneficio de escolas e de hospitaes para pobres, como se na nossa America houvesse pobreza... Creia, minha amiga, no Brasil não ha miseraveis, ha atheus. Precisamos de regenerar o povo com exemplos de fé christã.
Camilla concordou; Paquita atreveu-se a dar uma sentença.