O pae da baroneza e da Paquita era um velho portuguez, antigo cavouqueiro, que boas auras de fortuna tinham tornado capitalista. Toda a cidade conhecia as suas anecdotas e simplicidades. Demais, elle gabava-se dos seus principios rudes e pesados.
—Nós tambem preparamos um baile; somente a data é ainda incerta, disse Camilla.
—Já se falla nisso.
A baroneza conversava com volubilidade, mal tocando nos assumptos. Fallou muito e fallaria ainda mais se a Paquita não a interrompesse de repente com uma phrase secca:
—Vamo-nos embora.
—Sim, vamo-nos embora.
Quando ellas se despediram, com a promessa de que Ruth tocaria no concerto, Camilla ficou com as mãos cheias de bilhetes para a matinée.
A baroneza, no meio da vidrilhada do seu vestido de setim preto, caminhava como se levasse musica comsigo; tinha os passos cadenciados, o busto bem erguido, um calor doce nos seus formosos olhos acastanhados de morena.
Paquita seguia-a, com o seu modo vago, em que tudo parecia escapar á observação. Camilla notou, ao apertar-lhe a mão, a magreza do pulso, um pulso alvo, fino, de creança doente, entrevisto entre a luva e a manga.
Em baixo, no vestibulo, as moças esbarraram com o Dr. Gervasio, que sahia tambem, cançado de esperar por Camilla.