D. Ignacia suspirava, cançada do esforço da tomada de logar, com as mãos carregadas de embrulhos, e o toucado já descahido sobre a orelha esquerda. Não a pilhariam tão cedo na cidade, affirmava.

Reconhecendo o capitão Rino, pediram-lhe logo noticias da familia Theodoro, como estava a boa Camilla?

Elle disse o que sabia, um pouco atrapalhado, corando.

A Carlotinha, sempre trefega, debruçava-se sobre o collo da mãe, dizendo-lhe com a sua voz maliciosa phrases em que entrava mais atrevimento do que espirito. Tinham-se mudado para as Larangeiras e offereciam-lhe a casa. D. Ignacia vinha espantada com os preços dos objectos adquiridos; se não fossem as moças, ella não viria á cidade; gostava do seu canto, da boa paz caseira.

—E o Sr. Gomes, como está? perguntou o capitão, menos por interesse do que para dizer alguma coisa.

—Coitado, como velho cheio de trabalho. O Sr. não imagina! meu marido sacrifica-se pelos outros e o resultado nós sabemos qual é. Este mundo é de ingratos...

—Sim, é de ingratos; confirmou o capitão.

Até as Larangeiras D. Ignacia teve tempo de despejar todas as lamentações da sua alma attribulada; fallou de tudo, até das cozinheiras e do máo serviço do açougue. O discurso, interminavel, numa lenga-lenga, ora lamurienta, ora resignada, tornava ao capitão insupportavel a longura da viagem.

Carlotinha perguntou pelo Dr. Gervasio. Que era feito d'elle, que ninguem o via, senão no palacete Theodoro?

Rino encolheu os hombros; não sabia. Judith debruçou-se por sua vez, e contemplou-o com curiosidade.