No dia seguinte, quando acordou, era tarde. Tia Joanna sahira sozinha para as devoções; nem a presentira. Tia Itelvina andava aos berros pela casa.
Ruth saltou da cama assustada e foi entreabrir a porta:
—Que é?
A tia respondeu-lhe com mau modo, em uma rebentina:
—A Sancha fugiu!
Um tremor de febre percorreu o corpo de Ruth.
Atirou-se para a cama, puxou os lençóes até a cabeça. Para onde teria ido a pobre, sózinha, sem conhecer ninguem? De quem seria a culpa se lhe acontecesse uma desgraça?... De quem, senão d'ella?... Ora! sempre seria mais feliz lá fora...
Quando nesse dia Noca appareceu no Castello, Ruth lançou-lhe os braços ao pescoço. Era a sua libertação.
D. Itelvina rabeava pelas salas e corredores, culpando a irmã, que se levantava fora de horas para a carolice e deixava a casa escancarada, provocando a negrinha para o assanhamento da rua.
Foi ao fragor d'essas invectivas que Ruth se despediu da velha, deixando-a sozinha no seu casarão, onde as catingas do rato e do mofo vagavam conjunctamente.