Assim, aquelle dia de semana parecia de festa.

Francisco Theodoro sentou-se ao pé do piano e olhou para todos como se olhasse para phantasmas. Que quereria dizer tanta alegria? Então toda aquella gente não teria mais que fazer, nem outras coisas em que pensar?

Não esteve muito tempo socegado. Lia e Rachel saltaram-lhe para os joelhos, e elle, cançado, deixou-as trepar, e fez de cavallinho durante alguns minutos...

[XVIII]

Todos os dias era aquillo: logo pela manhã Francisco Theodoro saltava da cama com sentido nos telegrammas do Jornal. D'esta vez, como das outras, soffreu o mesmo desapontamento. Lá vinha a noticia de que o café baixava de preço, pouco a pouco, invariavelmente.

Vestiu-se á pressa e desceu ao jardim, taciturno, como se os pezadellos da noite se prolongassem. E o sol estava lindo. As cigarras cantavam pelos tamarineiros.

Eram seis horas, e já Lia e Rachel andavam aos saltos, ainda de calções de dormir. Noca perseguia-as, chamando-as para o banho, com os enxugadores no braço e a saboneteira na mão.

—Então, creanças; que cacetes!

As pequenas, de queixinhos erguidos, sorriam para o pae, tomando-lhe o passo.

—Bons dias, papae!