A seu lado, sentado no mesmo divan, o Dr. Gervasio Gomes desenhava a lapis na carteira qualquer cousa que a fazia sorrir. Elle gabava-se de ter geito para a caricatura. Era um homem magro, nervoso, de quarenta e tres annos, trigueiro, e apurado na toilette. Era ligeiramente calvo, tinha um olhar de que as lentes de myope não attenuavam a agudeza, e um sorrisinho ironico, que lhe mostrava os dentes claros e meudos como os dos roedores.

Camilla guardava um viço prodigioso de mocidade. Todo o Rio a apontava como mulher formosa. Tinha herdado da mãe aquelle ar de magestade, que tanto impressionara Theodoro na primeira entrevista do Castello, adoçado por uma grande expressão de calma e de bondade.

Francisco Theodoro foi direito a elles e cumprimentou-os, sem se atrever a roçar os labios na face da mulher, com todo o escrupuloso pudor das suas acções em familia. Sentava-se já, quando ella lhe disse com leve censura:

—Você não cumprimenta o capitão Rino nem o maestro?

Os outros estavam ao canto da sala, junto ao piano para onde Ruth se dirigia com o violino na mão. Pedidas as desculpas, Theodoro voltou-se para o capitão Rino:

—Muito me alegro de o ver aqui, capitão; quando chegou da sua viagem?

—Hontem.

—Você não imagina, interrompeu Camilla; o capitão trouxe-me um presente lindissimo!

—Que foi? perguntou a meia voz o Dr. Gervasio.

Francisco Theodoro enxugava com o lenço a calva rosada e luzidia. Milla, voltando-se para o medico, explicou: