—Acha feio?
—Horrivel.
Nesse dia, Francisco Theodoro não achou um instante de allivio no trabalho.
Foi ao escriptorio do Innocencio e maçou-o com interrogações, percebendo que o achavam fastidioso, e que o evitavam disfarçadamente.
Já havia perto de tres mezes que os telegrammas annunciavam regularmente, numa proporção de acinte, a baixa do café no Havre.
E ainda o Innocencio conservava o seu risinho zombeteiro, de sentido esgarçado, fugitivo.
Francisco Theodoro, mais enfurecido nesse dia que nos outros, teve impetos de bater-lhe, tal foi a raiva de o ver sorrir; todavia, conteve-se, certo de que nada lucraria, e desceu a escada do outro com o protesto de ser a ultima vez.
Quando entrou no seu escriptorio, o guarda-livros extendeu-lhe um telegramma: A casa Mendes e Wilson, de Santos, declarava fallencia, arrastando na quéda grandes capitaes de Theodoro.
O negociante leu a communicação em silencio e em silencio se conservou por algum tempo, branco como a cal, suando em grossas camarinhas, de olhar parado e o papel aberto nas mãos tremulas.
Os empregados do escriptorio assistiam mudos e contrafeitos áquella scena. O Motta já lá estava, muito amarello, de olhos encovados, mal escovado, com a gravata torta num collarinho amarrotado, com o triste ar de pobreza relaxada; tambem elle percebeu que pairava alli uma grande desgraça, e sacudiu piedosamente a cabeça, fixando o rosto transtornado do patrão.