Á cabeceira da mesa, Francisco Theodoro gostava de, espalhando a vista por toda a longa superficie branca da toalha, vêl-a bem coberta de cousas caras e vistosas. Assim comia com appetite, gostosamente. Era o seu triumpho na vida, que todo esse luxo representava, na unica occasião em que lhe sobrava tempo para admiral-o.

Os convivas eram instados para que comessem mais, comessem sempre! Com o Dr. Gervasio havia menos instancias: conheciam-lhe os habitos de homem delicado. O capitão Rino era muito mais moço e trazia da sua vida de mar valentias de estomago.

As creanças comiam á mesa, dirigidas por Nina, e faziam algazarra e exigencias.

Mario reprehendia-as, achando intoleravel que o pae consentisse aquillo!

—O nome do seu vapor é...? perguntou ao capitão o Dr. Gervasio, ageitando a luneta no nariz.

Neptuno.

—Amado de Amphitrite e das nereidas. O patrono deve pôr-lhe em perigo o socego...

—Porque?

—Porque assim moço, bonito, e com tal suggestão, de forte envergadura precisa o senhor para resistir ás seducções das sereias...

—Que ninguem viu nunca em mares brasileiros; respondeu o capitão ingenuamente.