Então baixinho, num sussurro, com o rosto unido ao rosto d'elle, Camilla disse tudo. Levada pelo seu sonho, ella não percebia quanto as mãos d'elle tremiam nas suas mãos e que sombras lhe passavam pelo rosto transtornado.

Quando ella acabou, elle não respondeu; ficou por largo tempo immovel, como se ainda esperasse a ultima palavra.

A viração da tarde encheu a sala com o aroma das dracenas; Camilla sorveu-o com deleite, como se fôra um afago do céu. Emfim, fallara, tinha-se dissipado a nuvem e já sorridente, instou pela resposta:

—Queres?...

O medico ergueu-se de chofre, e com voz metalica e dura disse rapidamente:

—Não pode ser.

Camilla moveu os labios, numa agonia de morte. O que ella temia alli estava. Elle tinha razão, era bem feito, casar, para que? Fôra a nora que a obrigara a tamanha humilhação! Atraz d'aquella mascara de seriedade, Gervasio havia de se estar rindo d'ella, da pretenção d'aquelle miseravel corpo de avó a um noivado de amor! Teve a impressão dolorosissima de estar coberta de rugas e de cabellos brancos; olhou para as mãos com medo; não comprehendeu bem o motivo porque continuava alli e levantou-se com esforço, para se ir embora. O seu destino estava escripto: via todo o futuro tapado pelo corpo pequenino do neto.

Gervasio, pondo-lhe as mãos nos hombros, fêl-a sentar-se outra vez, com brandura.

—Para que? perguntou-lhe ella, quasi chorando.

—Para te dizer tudo: eu sou casado.