Francisco Theodoro appareceu risonho, com as duas mãos extendidas para a querida Sra. D. Ignacia Gomes, que se levantou remexendo as sedas farfalhantes do seu vestido cor de pinhão. Que excellente seda aquella! já passara por tres feitios differentes, e ainda era aquillo que se via!

—Cara senhora, então, o amigo Gomes?

—Vem logo; ah! elle tem muito trabalho, não imagina.

—Sei, sei ... a vida foi feita para as mulheres. E ainda ellas se queixam! Só se falla por ahi em emancipação e outras patranhas... A mulher nasceu para mãe de familia. O lar é o seu altar; deslocada d'elle não vale nada!

Todos concordaram; e Francisco Theodoro passou adeante, puxando o Dr. Gervasio para uma alléa mais solitaria do jardim:

—Vou pedir-lhe um obsequio. Lá um dos meus empregados, um ajudante de guarda-livros, o Motta, quebrou hoje uma perna, ao descer de um bond. O homem foi tratado na pharmacia do Souto, mas ... sabe que esses apparelhos feitos assim á pressa não inspiram confiança; peço agora ao amigo que amanhã vá lá vêl-o.

—Perfeitamente. Onde mora?

—Na rua Funda, tenho aqui o numero...

Francisco Theodoro sacou de um bilhete escripto a lapis.

—Rua Funda? Onde é isso?