A campainha do almoço repicava no primeiro toque; Ruth fechava o seu violino e Nina descia ao jardim com a Noca, para admirarem tambem o grupo do lago, mandado da cidade por Francisco Theodoro.

Nina vinha na frente, com o seu modo tranquillo de ménagère, bem penteada, com um vestido escuro, alegrado pela nota branca de um aventalzinho circumdado de rendas. Atraz d'ella, Noca bamboleava o seu corpo cheio, sem collete, vestida de chita clara, rindo alto de uma anecdota do copeiro.

Camilla teve um sobresalto.

Tambem aquella, a Nina, saberia tudo? Teve impetos de lhe ir ao encontro e perguntar-lho; mas abaixou os olhos para os cabellos negros da Rachel e da Lia, que se cosiam ás suas saias, e passou-lhes as mãos na cabeça, de vagar, numa caricia muda, grata ao seu amor e á sua innocencia.

—Que engraçadinho! não acha, tia Milla, que ha de fazer bonita vista depois de collocado no meio do lago?

—Acho...

—É de muito gosto!

Noca tinha pena. Coitadinhas das creanças! haviam de ir assim tão núas para o sereno das noites? Muito chic!

Uns admiravam a belleza da menina, outros a do menino, e afinal concordavam que o conjuncto é que valia tudo. Ruth veio por ultimo; queixava-se de fome. A campainha vibrava pela segunda vez. Pediram, a opinião d'ella; não era tão bonito, aquillo?

—Nunca apreciei bonecos; vocês bem sabem...