—Basta! não quero que me tornes a fallar nessa creatura... ouviste?
—Eu gosto d'ella... É bem boa!
—Para o fogo.
—Eu gosto d'ella muito!
—Mas D. Gloria lá em casa trata a D. Alice com seccura... Observou o negro.
—É mentira! Você é um mentiroso! protestou a menina, com raiva.
—Gloria!
—Que é, vovó?
A baroneza não podia mais. Entrou e fechou-se no seu quarto. Arrependia-se já d'aquellas acções que praticara. Deus a livrasse de condemnar uma innocente, mas lhe désse forças para punir uma culpada. O que a affligia eram os meios de que lançara mão para conhecer a verdade. A espionagem do negro... a intervenção da cartomante... oh! como isso lhe repugnava agora, bem a sós com a sua consciencia! Valera a pena viver toda uma vida pura e nobre, para na velhice fazer aquelles desatinos?
O retrato da filha, suspenso á cabeceira da cama, absolvia-a d'aquella culpa, sorrindo-lhe docemente d'entre a onda pallida dos cabellos soltos.