O rapazinho olhou e viu que ella levava as botinas esfoladas, tortas no calcanhar, e que tinha os artelhos finos. Mal ella chegava á porta do fundo, quando appareceu um negro, muito empertigado, com um arzinho desdenhoso e enfiado num dolman branco de impeccavel alvura.

Ella repetiu a mesma phrase e elle fez-lhe um gesto para que o acompanhasse.

Seguiram por um corredor até ao escriptorio do dr. Argemiro, que escrevia á secretária, no meio de um montão de papeis, muito atarefado, já prompto para sahir.

Feliciano avisou da porta:

—Uma pessoa que vem pelo annuncio!

O advogado levantou os olhos e viu entrar na sala uma figura meio encolhida, que lhe pareceu ter um hombro mais alto que o outro e cujas feições não viu, porque vinham cobertas com um véu bordado e ficavam contra a claridade.

—Tenha a bondade de sentar-se... permitta-me mais um momento e prestar-lhe-ei toda a attenção...

Ella fez um gesto de assentimento e sentou-se perto da porta. Elle, bem illuminado pela claridade de fóra, apressou as ultimas notas, fazendo ranger a penna no papel. Chegada a vez de ordenar as folhas esparsas pela secretária e de acamal-as na pasta, para não perder muito tempo, foi dizendo:

—Antes de mais nada, como estes annuncios reclamando senhoras para casas de viuvos são ambiguos e prestam-se a interpretações pouco airosas, digo-lhe desde já que preciso, para governante de minha casa, de uma senhora séria, uma senhora honesta, a quem eu possa francamente confiar minha filha, que é uma menina de onze annos. Ella móra fóra, mas deverá vir passar de vez em quando alguns dias em minha companhia...

Sendo essa a condição essencial, não extranhará por certo que lhe peça algumas informações...