—Ella ha de me pagar...
Alice deu volta á casa pelo jardim e entrou por uma porta do fundo, evitando um encontro provavel com Argemiro, que falava alto no escriptorio, junto á saleta da frente.
Cançada, sentou-se um momento na sala de jantar, antes de subir para o seu quarto, vigiando a porta do escriptorio, prompta a fugir num relance, caso elle apparecesse. Com as mãos abandonadas nos joelhos, sorria com amargura ás palavras de Argemiro, que lhe chegavam nitidamente aos ouvidos. Elle arengava contra as mulheres. Os outros davam-lhe razão, citavam exemplos destacados de escandalos, riam-se alto, declarando o casamento uma instituição prejudicada.
A uma phrase atrevida de Argemiro, respondeu Adolpho Caldas maliciosamente:
—Emquanto pelo annuncio do Jornal acudirem governantes moças para as casas de viuvos sós... Mas é que nem todos são viuvos, meu caro!
Telles riu alto; a voz de Assumpção disse qualquer coisa que a palestra dos outros suffocou.
Poderiam gritar. Alice tapara os ouvidos com os dedos e subiu correndo para o seu quarto, onde se fechou por dentro.
Quem falava agora na sala era o padre Assumpção:
—Ainda ha mulheres tão puras como as mais puras de todos os tempos. Tenho ouvido muitas Ruths no confessionario, e conhecido almas adoraveis de innocencia e de bondade. Vocês conhecem-nas pelas exterioridades, eu pelos sacrificios,—que são ordinariamente as sacrificadas que nos vêm pedir conselho e consolação. Tenho encontrado em meu caminho sublimes abnegações, sempre por parte das mulheres...
—Porque os homens não se confessam!...