Gloria voltava cora a alma cheia de espanto. Divizando no banco do jardim o padre Assumpção, pontual na espera, correu para elle com enthusiasmo. Alice acompanhava-a a distancia, com ura sorriso placido.
—Adivinhe onde eu fui, padre Assumpção!
—A algum lugar muito bonito, porque os teus olhos reflectem maravilhas!
—Acertou. Fui ao Instituto dos Cegos!...
—Ah! mas... pareceste-me tão alegre!
—Pois então! eu imaginava que todos os ceguinhos vivessem amargurados... zangados... que no escuro em que vivem não se entretivessem com coisa nenhuma, nem pudessem lêr, nem tocar, nem nada... Quando D. Alice me disse: vamos ao Instituto dos Cegos... eu não respondi nada, por vergonha, mas fiquei com medo...
—Os cegos nunca fizeram mal a ninguem...
—Não sei... mas eu tive medo de ficar com pena!
Alice chegava nesse momento; o padre cuprimentou-a e recebendo a menina, despediu-se d'ella.
Gloria abraçou a moça com frenesi e partiu, em companhia do padre, para o escriptorio do pae.