Agora elle revelava uma preoccupação: Gloria! A menina era o seu cuidado melhor. Lamentava-se de a ver muito solta, creada sem disciplina, como uma selvagemzinha! A avó era uma santa, dizia elle, mas incompetente para a dirigir.

Depois, a invocação constante que ella fazia da filha morta, chegara a criar em todos de casa como que a illusão de que de facto ella existia, invisivel, vigiando com saudade a sua orphã...

D. Sophia commentava:

—É uma especie de loucura, a que algumas mulheres são sujeitas; mas não me consta que nenhuma a tivesse levado a esse grau! Os filhos unicos acarretam grandes desequilibrios aos paes. É mais uma razão para te interessares pela pobre menina. Realmente, os mortos vão depressa... quando não deixam as mães no mundo! Faze por esclarecer a baroneza. Que se resigne á idéa de que, da linda Maria só existem os ossos...

—Tal affirmação não ficaria bem na minha bocca...

—Não estará na tua consciencia?

Sorris?! pois então, filho, alimenta a fogueira em que a pobre senhora se consome. Levas-lhe! achas e phosphoros, não te espantes de a veres arder! Se a alma existe, a de Maria trocaria o ceu para estar ao pé da filha... Era extremosa!

E nesse caso a baroneza tem razão...

Assumpção jardinava. De joelhos na terra, podava uma—Principe negro—quando a mãe subiu acompanhada de visitas: Alice e Gloria.

—É quando eu gosto de o ver de joelhos!—exclamou rindo D. Sophia, apontando para o filho, que levantou os olhos surprendido.