—Bem sabes em que consumo as horas... uma estupidez! É tão longe aquillo, e minha sogra fecha tão cedo a casa!... Ah, estou morto por trazer minha filha, ao menos uma vez de quinze em quinze dias, para jantar commigo, encher esta minha casa triste de riso e de alegria. Como a achaste?
—Magnifica, muito córada, forte! A avó exasperada porque ella não lhe pára no estudo. Quando eu cheguei estava ella encarapitada no muro, apanhando as amoras do visinho; quando entrou trazia o avental manchado e a saia toda descozida. A avó mostrou-me aquillo muito queixosa, mas Gloriazinha mal a deixava falar, tantos eram os beijos que lhe dava!
Riram-se ambos, Argemiro e o padre.
—A avó tem razão; minha filha já está muito crescida para aquelles modos de rapaz...
—É uma criança... deixa-a.
—Mas afinal, de quem é a culpa? Dos avós. Se ella morasse commigo seria muito outra.
—Não estaria tão bem.
—É uma selvagem... esta é que é a verdade; mal sabe lêr, rabisca umas letras em pessima calligraphia... e toca sem compasso umas intoleraveis lições do methodo! Já era tempo de saber muito mais. Não te parece?
—Ora! sabe em que tempo se devem plantar os repolhos e podar as roseiras, como se córa roupa e se deitam gallinhas. É uma sciencia rara hoje em dia e muito util. Tua sogra pediu-me que lhe ensinasse o cathecismo, para a primeira communhão.
—E tu...