Razão tinham aquellas paredes para parecerem desgostosas e estarem enxovalhadas. Só a torpeza que rolava entre ellas!
[VI]
Desde que fôra entregue aos avós, era a primeira vez que Maria da Gloria dormia fóra de casa. A baroneza morria de impaciencia por vêl-a voltar; á tristeza da ausencia juntava-se um cuidado que a punha doente. Que teria succedido á sua netinha, longe do seu carinho e da sua vigilancia? Se ella chegasse com febre! Que idéa maldita a de tirarem a criança d'alli, para a metterem na cidade, por uma noite inteira!
Mas a Maria chegou alegre. Saltou do carro sobraçando um grande embrulho de pasteis.
A baroneza estendeu-lhe os braços, com os olhos luzindo de alegria.
—Vem, meu amor! Eu estava com tantas saudades!! Coitadinha...
—Coitadinha por que, vovó?! Eu estou boa. Gostei muito!
—Ah, gostaste muito... Então não tiveste saudades minhas...
—Tive, mas gostei. Tome estes pasteis, são muito bons.
—Eu tambem tenho um doce guardado para ti.