—Já affirmei.
—E então?
—Não se contentou...
—Achas então que devo despedir esta senhora, que me torna a vida agradavel, facil e boa, só por um capricho da minha sogra?
—Acho.
—Ora! isso é levar muito longe a minha affeição filial!
—É uma medida de prudencia...
—Mas se eu já te disse que estamos na mesma casa e é como se morassemos a cem leguas um do outro! De que côr são os seus olhos? nem sei. Dize a minha sogra que farei tudo por ella, menos isso... Com o governo da minha casa ninguem tem nada que vêr. Nada! Lê a caderneta, que é melhor. Verifica como tudo isso está em ordem, direitinho... Nem um guarda-livros!
—Não digo que não. Amanhã terei de ir fallar com tua sogra, a respeito de um logar que arranjei no Asylo, para uma criança sua protegida. Desejaria levar-te em minha companhia. Ha algum tempo que não appareces por lá. Ella adora-te. Farás bem em socegal-a... Por hoje basta sobre o assumpto. És ainda moço, Argemiro, e o tempo fará o milagre que desejas... Temos outra conversa de interesse: Terás porventura entre as joias de tua mulher algum alfinetinho, ou broche, não sei bem como se chama, que possas levar á nossa Gloria? Ella deu bem as suas lições, segundo me disse o avô, e seria justo recompensal-a. Para incitamento, prometti-lhe que lhe levarias uma lembrança que tivesse pertencido á mãe... Sobretudo, é naquelle coração que se deve cultivar a adoração d'ella...
Contraria-te a idéa?