Por isso, quando se chega ali e a gente o vê, aquelle curioso porteiro, homem forte e sizudo, com o seu fatinho de briche,—todo grave, cortez, benevolo—não deixa de vir á idéa que, se lhe der na vineta, elle póde abrir a porta para se entrar... e não a querer abrir depois para se sair; e vae uma pessoa lembrando-se mesmo sem querer do caso do carvoeiro... O carvoeiro tinha lá ido para tratar de negocio, e foi entrando por ali dentro até o apanhar um guarda que o tomou por hospede novo, a[{16}] quem se devia dar um banho, como é costume quando para ali entram.

—Vamos ao banho, vamos! dizia o guarda.

—Qual banho?! retorquia o carvoeiro pasmado.

—É muito bom. Para se ficar limpinho. Vá, vá!

Num quero, dizia o carvoeiro. Leba de xalaxas! Nunca tomei banhos na minha bida! Arreda para lá!

—É uma ceremonia, replicava o guarda; só uma ceremonia. É optimo para a saude, e de grande aceio.

O carvoeiro, como viu que instavam tanto, consentiu por fim em tomar o seu banhosito n'uma d'aquellas[{17}] magnificas tinas de marmore, admirado ao mesmo tempo de tantas attenções que tinham com elle n'este estabelecimento do estado.

Vestiu-se depois outra vez, muito fresco, e quiz sair. Mas, sair querem elles todos e não se ouve por lá outra cousa.

—Ámanhã, disse-lhe o guarda.

—Ámanhã!?! redarguiu o homem.