Thomé conhecia de pequenos os rapazes da Casa Mourisca e sabia até que ponto se podia contar com o que em Mauricio havia de bom, e receiar do que n'elle havia de mau.

Depois a physionomia de Bertha denunciava que a conversação dos fidalgos não tinha sido demasiadamente apropositada.

Nem convinha á boa fama de uma casa, em que houvesse raparigas, a assiduidade de qualquer dos tres manos do Cruzeiro.

Tudo isto actuava no espirito de Thomé durante os instantes que precederam a sua introducção na scena.

—Olá! v. exc.as por aqui! Grande honra! grande honra!

—É verdade, Thomé—começou o padre a dizer—entramos, como rapazes de escóla, sem pedir licença ao dono da casa; mas confiamos que não se nos leve a mal…

—Ora essa! Levar a mal porquê? V. exc.as quizeram talvez vêr por seus proprios olhos como esta abençoada terra, que d'antes se definhava nas mãos de um fidalgo, medra agora nas mãos de um lavrador?

—Justamente. E depois tivemos a felicidade de encontrar a menina
Bertha, que é a maravilha d'estes sitios.

—Ah!—disse Thomé, com um meio sorriso, e voltando-se para a filha, que instinctivamente se aproximou d'elle:

—É verdade. Agora me lembra! Olha que tua mãe recebeu já aquellas meiadas. Se queres ir vêl-as.