As reflexões de Jorge contra aquelles amores, a perspectiva das repugnancias de familia, dos obstaculos a vencer, dos preconceitos e paixões com que luctar, longe de extinguirem a chamma em que elle procurava abrazar-se, antes mais a activavam.
A ideia de um amor entre dois corações jovens, amor constante em despeito do antagonismo, das animadversões e dos odios das familias; esse eterno e poetico thema de tantas obras de arte, era sympathico á phantasia de Mauricio, que, seduzido por ella, chegou a convencer-se de que estava destinado a ser mais um exemplo do caso; estimulo este sufficiente para o apaixonar.
Jorge estranhou-lhe o ar pensativo, mas não o interrogou.
A baroneza, usando dos privilegios de mulher nova e elegante, costumada a não refrear a sua curiosidade feminina, interpellou-o directamente:
—Não voltaste muito amavel do teu passeio matinal, Mauricio. Que foi isso?
—Perdoe-me, prima. Isto é uma das muitas mudanças de colorido que, sem que se saiba porque, se opéra no humor de uma pessoa.
—Hum! Não andará ahi influencia do coração?
Mauricio soltou um meio riso de descrente, respondendo:
—O coração! O meu coração é modesto. Não aspira a dominar. Nunca lhe conheci essas tendencias.
—N'isso mesmo que dizes d'elle se está a perceber que ha espinho lá dentro.