—Mas… Por quem é, meu tio… Grande prazer me dará a sua visita… porém em outras circumstancias e por outros motivos. Não tome resolução alguma emquanto assim está dominado pela paixão. Veja o que vae fazer! O que se dirá? O que se fallará por toda a parte!

—Já de sobra teem em que fallar. A vergonha não é maior—tornou o velho mais agitado.

—Pois sim—acudiu o padre—mas reunir a vergonha ao incommodo… a fallar a verdade… é… é…

—A vergonha… a vergonha… Mas tem a certeza, tio, de que julga bem e despreoccupado de paixões, os actos de seu filho? Quem lhe diz que outros não chamarão virtude áquillo a que chama baixeza?

A cólera relampagueou de novo nos olhos do velho:

—Gabriella, por quem é, desista de contrariar-me. Asseguro-lhe que me não demove da resolução em que estou e que sómente me afflige. Se não quer conceder-me o abrigo dos seus tectos, irei bater a outra porta.

Gabriella não insistiu.

—A minha casa é sua sempre, meu querido tio. Vou dar as ordens para partirmos.

—Não esperem por mim—recommendou ainda o fidalgo—eu irei com frei
Januario mais tarde, porque tenho que fazer antes. Sinto o incommodo que
isto lhe vae causar, Gabriella. Mas os criados ficarão na estalagem da
Encruzilhada.

—Todos cabem; visto que tambem os quer levar, escusam de ficar a meio caminho. Então fecha-se a Casa Mourisca, ao que estou vendo? Muito bem. A casa de meu pae é bastante espaçosa, e com os arranjos que eu mandei fazer-lhe ultimamente, deve bem servir para nós todos. Agora um pedido.