—Estou ao corrente de tudo? Isso é que eu não sei. Mauricio tem por ella uma grande paixão, ao que parece.

—Não creio—acudiu Jorge vivamente.

—Como se explica então que, sendo elle tão teu amigo, se irritasse por uma errada interpretação dos teus actos, a ponto de estar imminente uma acção tragica, de que nem quero lembrar-me?

—Ora essa! Então não conhece o genio de Mauricio?—tornou Jorge quasi impaciente—Os primeiros movimentos são n'elle sempre impetuosos. Aquelle rapaz não se conhece. A cada instante se engana comsigo proprio. Anda persuadido ha certo tempo de que ama Bertha, e essa persuasão é tal que dá logar a scenas como essa que sabe.

—E porque dizes que não a ama?

—Porque o conheço e porque o tenho visto amar assim muitas mulheres.

—Uma serie de amores verdadeiros, é o que se conclue d'ahi; verdadeiros, mas curtos.

Jorge sorriu.

—Parece-me que não acreditas que sejam verdadeiros os que são curtos?
Tu amarias sempre, se amasses?

—Creio que sim. Ou pelo menos, quando visse acabar um amor, dizia commigo: enganei-me, não era amor ainda.