—Talvez.

A baroneza ia a insistir, quando o colloquio foi interrompido pela voz do padre procurador pedindo licença para entrar.

Frei Januario entrou tossindo e assuando-se de uma maneira particular, que para quem o conhecesse era indicio claro de uma grave preoccupação de espirito.

—Então, snr. frei Januario, como se tem dado n'estas ruinas?—perguntou-lhe a baroneza com a amabilidade de dona de casa.

—Excellentemente, minha senhora. Então até direi a v. exc.ª que ha muito tempo não dei com um cozinheiro que melhor atinasse com o meu paladar.

—Sim? O Gavião merece-lhe esse conceito? Se o rapaz o sabe! É capaz de se me estragar de vaidade. Não o gabe na presença. Recommendo-lhe toda a discrição, snr. frei Januario. Olhe lá.

—Mas é que é verdade o que eu digo. Que lhe pareceu a v. exc.ª aquelles bifes hoje ao almoço? Olhe que aquelles bifes!… Não lhe digo nada! O rapaz é geitoso. Mas deixemos isso. Tracta-se de uma coisa que me dá cuidado.

—Então que é?—perguntou a baroneza, recostando-se—Não quer sentar-se, snr. frei Januario?

O padre puxou uma cadeira, sentou-se e tornou a tossir e a assuar-se.

—O snr. D. Luiz—disse elle, interrompendo-se a cada momento—emfim… eu ha tempos a esta parte ando assim a modo de doido….