—Lembrava-me dizer ao fidalgo que sim senhor, que tudo se havia de fazer como elle mandava, que eu me encarregaria da direcção da casa, mas, por baixo de mão, continuar o snr. Jorge a levar as coisas lá pelo seu systema.
—E quer tomar sobre si a responsabilidade dos meus actos, snr. frei Januario? Repare bem. Já sabe a que portas costumo ir bater, quando preciso de capital, e quaes os meios que adopto. As suas crenças e opiniões devem soffrer com isso.
—E a mim que me importa?—tornou o padre impaciente—A final de contas, a casa é sua e não minha. O mal que fizer mais o ha de sentir do que eu.
—Não depõe muito a favor da sinceridade do seu affecto á minha família esse dizer. Eu queria antes vêl-o oppondo-se energicamente á administração viciosa que principiei.
O padre não tinha coragem para tomar conta da gerencia da casa sob a inspecção de Jorge, a quem tomára um mêdo excessivo; tentava porém colorir airosamente a proposta que alli viera fazer.
A baroneza interpellou-o muito terminantemente.
—A sua posição n'esta casa, snr. frei Januario, e as exigencias moraes do seu caracter e da sua missão traçam-lhe distinctamente o caminho que deve seguir. Ou entende na sua consciencia que póde fazer mais e melhor do que Jorge, e n'esse caso deve obedecer ao tio Luiz, ou tem a convicção contraria e só então é admissivel a sua proposta, mas depois de confessar com franqueza e lealdade o motivo d'ella.
O padre torceu-se, balbuciando:
—Eu não digo… isto é… quero dizer… no estado em que as coisas estão… no pé em que as puzeram…. Sim… cada qual tem lá o seu systema… e eu… sim, v. exc.ª bem sabe….
—Deixemo-nos d'isso. Claro, claro. Notou alguns defeitos na administração do primo?