Bertha ia a responder, mas era tal a sua commoção, augmentada pelo modo por que Jorge dissera estas palavras, que sentiu não lhe ser possivel formular uma resposta; os olhos inundaram-se-lhe de lagrimas e o rosto trahiu-a.

Levantando-se agitada, sahiu da sala em silencio, como se precisasse de estar só para desafogar em lagrimas a oppressão que a angustiava.

Luiza viu-a sahir e ficou admirada. Olhou para Jorge com estranheza, olhou para a porta, como se não soubesse explicar a scena a que assistira.

—Estas raparigas teem uns modos! Já viram uma coisa assim?!—murmurou ella, passada a primeira surpreza.—Queira perdoar, snr. Jorge.

Igualmente enleiado, Jorge procurou mudar o sentido da conversa, fallando outra vez de Thomé, em procura do qual sahiu poucos minutos depois.

Assim que o viu deixar a sala, Luiza ficou pensativa por algum tempo e no fim disse em voz alta, como era costume seu:

—Deixal-os. Se assim fosse, tanto melhor. Coisas mais incríveis se teem visto. Seja o que Deus quizer!

Ao passar no patamar das escadas que davam para o quinteiro, Jorge encontrou alli Bertha, que parecia esperal-o. Cortejando-a, procurou nos olhos d'ella o vestigio de lagrimas.

—Snr. Jorge—disse-lhe Bertha, com voz triste e levemente tremula—perdoe-me a minha perturbação de ha pouco. Fui obrigada a sahir da sala sem lhe dizer nem uma simples palavra de agradecimento por o muito que lhe devia; mas creia que não é porque o desconheça.

—O que me deve! Então quer que lhe repita o que já lá dentro lhe disse?
Eu sou que tenho a pedir perdão.